PARADA - Lar, Doce Lar - Meu Berço e meu Refúgio

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A mesma Parada vista por dois olhares

23 de setembro de 2013

NEM TUDO O VENTO LEVOU

Meus caros conterrâneos, leitores e amigos.

É bom nunca desistir. Foi isso que eu fiz ao longo de muitos anos.

Bem isto a propósito do texto que me proponho partilhar com os meus amigos e leitores.

Este agora meu pequeno texto retrata o meu reencontro com alguém que me marcou profundamente, tendo com ele criado tal amizade, que nunca julguei ser possível estar tanto tempo em letargo.

Depois desta pequena introdução, vamos ao tema a desenvolver.

Manuel Afonso Amilcar MorenoEm Janeiro de 1967, assentei praça na Armada Portuguesa. Mancebo de tenra idade, com apenas 16 anos de idade. Tive o privilégio de conhecer um Sr. de seu nome Amílcar Moreno,  que no ano anterior, Abril de 1966, com 16 anos de idade tal como eu, também ele assentou praça na Armada. Existia em comum o facto de ambos sermos oriundos da mesma região, Trás-os-Montes. Ele natural do Brinço, eu de Parada, duas aldeias maravilhosas do Nordeste Transmontano.

Foi extremamente fácil criar laços de amizade. Desde início me apercebi estar na presença de alguém superdotado, de características excepcionais. Rapaz humilde, generoso, humano e possuidor de uma inteligência rara.

Os tempos iam passando e a nossa amizade exponencialmente aumentava. Existiam mais amigos da nossa terra, que tal como eu, comungavam da minha tese de análise, estou-me a lembrar do Armando, que foi ele que mo apresentou, do Amadeu, Venceslau, Miranda, mais tarde do Geraldes, Machado, Figueiredo, enfim, muitos que foram engrossando o nosso núcleo de amigos transmontanos. Todos comungavam da mesma tese. Estávamos perante alguém, que era um verdadeiro amigo; ajudava o próximo sem visar nenhum retorno do seu acto. Usando um cliché, neste caso envolto de completa realidade, podíamos dizer com toda a firmeza que o Amílcar era capaz de “despir a sua camisa” para dar ao colega. Era traquinas, brincalhão e por vezes, não media as consequências. Tudo isto fruto da sua juventude e irreverência. Vitimas destas situações mais graves que eu tenha conhecimento, o Amadeu e o Paulino. Se algum deles passar por este blog, sabe do que estou a falar. Tudo isto foi ultrapassado e hoje resta a amizade e vontade de o abraçar.

O serviço militar tem destas coisas, cria amizade, companheirismo e mesmo laços fraternais. O tempo ia decorrendo, cada qual seguia as suas carreiras e destinos. Eu e o Amílcar, fomos sempre coabitando os mesmos espaços e locais, o que fez com que a nossa amizade aumentasse e perdurasse. Talvez fruto de ambos continuarmos por Lisboa.

Em 4 de Agosto de 1970, com 4 anos 4 meses e 4 dias, o Amílcar teve baixa do serviço militar, regressando à vida civil. Eram tempos em que arranjar trabalho não era difícil. Eu recordo que comprava o Diário de Notícias de manhã e à noite estava empregado.

O Amílcar arranjava emprego com muita facilidade. Acontecia que depois de empregado, muitas vezes lhe faziam a vida difícil porque facilmente se apercebiam que estavam perante um talento que lhes poderia, a curto prazo, “usurpar” os seus cargos, pelos méritos demonstrados. Recordo que esteve ligado a seguros, agência de navegação, enfim, trabalhos sempre aliciantes, que ele dominava facilmente.

A nossa amizade continuava. Encontrávamo-nos com regularidade para jantar e pôr a nossa conversa em dia.

Em 9 de Setembro de 1971, com 4 anos 9 meses e 8 dias, tive eu baixa do serviço militar. Segui o mesmo percurso, empreguei-me e dei início à minha actividade laboral.

Em Fevereiro de 1974, o Amílcar, numa das nossas habituais conversas, manifestou-me vontade de partir para fora do país, à procura de novos horizontes, pois ele sentia que tinha pernas para andar e neste país, as estruturas, não o deixavam desenvolver as suas altas capacidade profissionais.

É assim que em 8 de Março, parte rumo à Austrália, onde ainda se mantém. Aqui perdi o seu contacto. Na verdade eram tempos difíceis, não existiam os meios tecnológicos actuais, o que muito contribuiu para o nosso afastamento. Perdi o contacto com o Amílcar, por razões alheias à nossa vontade, mas não desisti de o procurar.

Diversas vezes me desloquei à aldeia dele, procurando notícias. As pessoas apenas me indicavam a casa onde morava, mas as portas estavam sempre fechadas, com ausência dos seus proprietários (seus irmãos), que exerciam a sua actividade em diversos pontos do país.

Finalmente, em Agosto passado, numa nova tentativa, colhi a informação necessária ao desenvolver deste reencontro. Apareceu uma Srª vizinha que me deu o contacto telefónico da irmã Ermelinda, residente em Coimbra, a qual eu contactei de imediato. Esta recebeu-me muito bem, dando-me o seu endereço electrónico.

Encontrava-me de férias em Parada. Nessa noite redigi um texto para lhe enviar. A recepção foi rápida. Na manhã seguinte estávamos ligados aos nossos diálogos do passado. Contámos as nossas vidas no decorrer destes 39 anos, trocámos fotos de família e amigos comuns.

Hoje, sinto-me mais feliz porque encontrei um amigo. Do mesmo sentimento comungam quantos tenho alertado, dando conhecimento do reatar desta amizade. Ansiosos de o abraçar. A todos eu tenho informado que se perspectiva uma visita no próximo mês de Julho 2014.

Ao registar este acontecimento neste meu/vosso espaço, apenas quero partilhar com os meus leitores e amigos a alegria que me assiste por estar de novo no convívio com alguém que é digno do respeito e amizade de todos quantos com ele conviveram. Sei hoje que a sua vida a nível cultural, económica e, sobretudo familiar corre maravilhosamente, quanto ao resto, muito temos para conversar.

Até breve amigo Amílcar, para nós amigos, carinhosamente o ( Xaite, o Brinço).

Manuel Afonso (Manuel Silvino)

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