PARADA - Lar, Doce Lar - Meu Berço e meu Refúgio

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A mesma Parada vista por dois olhares

18 de setembro de 2016

FORNO DE SECAR FIGOS

Meus caros conterrâneos amigos e leitores

Ao longo dos anos fui tendo muitas conversas com o nosso querido conterrâneo Manuel Esteves sobre o assunto do forno dos figos na ladeira. Dizia-me ele para não deixar passar o tempo, pois a idade estava a avançar e ele queria levar-me ao local.

O assunto foi se protelando, o amigo Esteves acabou por falecer com mais de 100 anos, sem que concretizasse os meus objectivos.

Felizmente, a Digníssima Arqueóloga da Divisão de Urbanismo da Câmara Municipal de Bragança, facultou-me os elementos e com a devida autorização hoje aqui partilho com todos aqueles que seguem este meus/vosso espaço virtual a realidade e estado de conservação do referido forno, bem como toda sua história.

 O Forno de secar os figos situa-se na ladeira de Parada de Infanções, na margem direita do Rio Sabor. Foi construído em alvenaria seca, apresenta um alçado principal retilinto, no qual se localiza a boca que dá acesso a uma câmara de combustão e secagem, de planta circular, perfil abobadado e base plana.

O forno era aquecido com estevas e carrascos, até ficar rojo. Após varrer as brasas, sobre placas de cortiça para evitar a assadura, eram então colocados os figos no interior do forno para perder a humidade. Posteriormente acabavam de secar ao sol, sobre panos brancos, expostos em varandas e por fim polvilhados com farinha.

Os figos secos sempre foram um elemento de excelência na alimentação, conservavam-se ao longo do ano. Eram degustados com regularidade nos mata-bichos, acompanhados de um copo de aguardente. Quem não se lembra?

Dadas as melhorias de condições de vida das populações, com mais facilidade de acesso aos bens de consumo, ditaram o desuso destas estruturas, pelo que, actualmente, apenas fazem parte da memória dos mais antigos.

De referir que toda esta zona proliferavam figueiras em abundância. Actualmente em extinção dado seu abandono.

Um pouco à memória do nosso saudoso Manuel Esteves e agradecendo a gentileza da Drª Clara André, permitam-me que ilustre com uma foto do forno e do seu utilizador.

Manuel Afonso (Manuel Silvino)