PARADA - Lar, Doce Lar - Meu Berço e meu Refúgio

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A mesma Parada vista por dois olhares

28 de setembro de 2011

AGOSTINHO DE JESUS GONÇALVES

1898 - 1975

Meus caros leitores, em especial os meus conterrâneos.

Agostinho de Jesus Gonçalves - Tropa Há pessoas que marcam a nossa vida.

Hoje não sei bem porquê, veio-me à lembrança um grande Senhor, filho da nossa querida aldeia. Homem de grande prestígio, generoso, trabalhador e honesto. Mais á frente talvez se perceba o porquê de eu evocar este homem que em 1975, deixou de pertencer ao mundo dos vivos.

O Senhor Agostinho, dado o laço, afectivo e familiar, pois era pai do meu cunhado João, sempre dedicou especial carinho aos meus pais; exercia muita influência, pois as palavras orientadoras e sábias funcionavam como norma de conduta para todos quantos com ele conviviam.

No decorrer da minha infância, após o exame da 4ª classe, fiz a admissão ao Liceu de Bragança. No ano lectivo, os resultados não eram os mais desejados, com a agravante de algum mau comportamento da minha parte (juventude irreverente). Um célebre professor, de seu nome Carvalho, resolveu comunicar ao meu pai, dada a amizade que os unia que eu ia chumbar. Sendo assim, acabei por desistir antes do final do ano de toda a actividade escolar.

No início do seguinte ano escolar, por intervenção directa do Sr. Agostinho, os meus pais consentiram que fosse efectuada a minha matrícula, no Colégio Salesiano de Arouca, como aluno interno. Um pouco de resistência por parte do meu pai, mas por pressão e atendendo ao pedido formulado, acabou por autorizar a minha matricula para aquele nobre estabelecimento de ensino, suportando economicamente altos custo para me manter nos estudos.

Nas férias da Páscoa os meus pais fizeram-me uma visita ao Colégio, tendo obtido informações desagradáveis a meu respeito. Estas contavam num diagnóstico de falta de concentração e atenção nas aulas e ausência de vocação para seguir a carreira de sacerdócio.

No final do ano, regressado à aldeia - férias escolares - havia que aguardar pelos resultados das notas finais. Estas não foram más, mas como a informação de conduta era negativa, fui convidado a não prosseguir os estudos naquele estabelecimento de ensino.

Foi-me colocada, pelos meus pais, a hipótese de continuidade, ou não, de prosseguir os estudos, hipótese essa que declinei, por falta de vocação e vontade, acabando por não seguir com a vida académica.

Com o decorrer dos tempos, trabalhando no duro na agricultura, sol a sol, comecei a pensar que rumo havia de dar à minha vida. O Sr. Agostinho, falou comigo e disse-me o seguinte:

- Olha rapaz, como vez isto aqui não é futuro, eu acho que abriu um concurso para admissão de voluntários na Armada Portuguesa, vou falar com o Sargento Correia da GNR, este vai fazer o requerimento.

Concordei, mas chamei-lhe a atenção para os eventuais obstáculos que poderiam ser colocados por meu pai. Ele respondeu-me:

- Não te preocupes, eu falo com ele e tudo será resolvido.

Sendo assim tudo bem. Eu cumprirei a minha parte e prometo solenemente que não o irei deixar ficar mal.

Tudo se processou como ele planeou, fiz provas fiquei seleccionado. Assentei praça em 9 de Janeiro de 1967, cumpri 4 anos, 9 meses e oito dias de serviço militar, passei à reserva na 1ª classe de comportamento.

No decurso da minha vida militar estudei, formei-me como homem e enfrentei o mercado de emprego com aptidão profissional, intelectual, estabilidade económica e emocional.

Pelo que acabo de descrever, facilmente se depreende qual a importância que este Senhor teve na minha vida. Agradeço à Armada Portuguesa, os bons tempos que lá passei a formação que me deu. A si Sr. Agostinho, que DEUS o tenha no Reino dos Céus, porque o Sr. era um Homem BOM. Sem a sua intervenção directa nada seria. Talvez o meu futuro passasse pela actividade agrícola, ou seja, seria muito diferente, plena de sacrifícios. Agostinho Gonçalves

Mais tarde, pouco tempo antes de nos deixar, numa fase má da minha vida, teve a nobreza de sentimentos de me enviar uma carta que guardo comigo. Foram para mim de extrema importância as palavras que a mesma me transmitiu. Ajudaram-me a superar o inferno em que me encontrava metido.

Diz o povo e com razão, que é na prisão e hospitais que se conhecem os amigos. Foi esta a lição que este Senhor me deixou.

Onde quer que esteja, receba esta singela homenagem de gratidão.

Um grande obrigado por tudo quanto fez por mim. É de homens destes que esta sociedade precisa. Guardá-lo-ei eternamente no meu coração.

Um abraço e um Olhar deste vosso

Manuel Afonso (Manuel Silvino)

1 comentários:

Mónica Alves disse...

Não tive o privilégio de conhecer o meu bisavô mas fiquei emocionada e orgulhosa com o que o tio descreveu dele. É sempre bom conhecermos o nosso passado na forma dos nossos antepassados de modo a tirarmos dai lições úteis para o nosso presente.
Obrigado por partilhar estas memórias.
Beijos, a sua sobrinha Mónica.