28 de abril de 2013

TRADIÇÕES

Meus caros amigos, conterrâneos e leitores

No final do mês passado desloquei-me às minhas origens, Parada de Infanções, para passar a maravilhosa quadra festiva Pascal na companhia dos meus familiares e habitantes daquela maravilhosa terra que me viu nascer que eu tanto amo e onde tenciono terminar os meus dias.

Fui surpreendido por uma agradável iniciativa da população. São habituais, nesta quadra pascal, as cerimónias religiosas. Foi nesse contexto, de manter tradições, que se realizou o lava-pés e no sábado de aleluia, a tradicional fogueira, com a particularidade de sua reverência o Padre Fontoura, acompanhado do povo, proceder à bênção da mesma.

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DSC_7549 DSC_7550 DSC_7551 A população aderiu em peso a este evento. Após a bênção seguiu-se a procissão de velas, regresso ao interior da Igreja, dando inicio à celebração da Santa eucaristia Pascal.

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DSC_7576 DSC_7582 DSC_7583 DSC_7594 Alertado pelos meus amigos, sabendo eles o quanto eu gosto de registar estes eventos, não podia ficar indiferente. Foi nesse contexto, munido da minha inseparável máquina fotográfica que registei as imagens para ilustrar este trabalho, ficando para a posteridade registado um evento que julgo de muita importância para manter viva a chama das tradições da nossa terra.

A envolvência da nossa juventude foi total. Também vi com muito agrado a autarquia na pessoa do Sr. Presidente, Norberto Costa, colaborar com este movimento popular digno de enaltecer. A fogueira acumulou toneladas de lenha, não vou quantificar, mas tenho a certeza que era muita e perdurou a chama pelos dias seguintes. Também as imagens que aqui vos deixo falam por si.

A Santa missa celebrou-se com muito acolhimento. A nossa Igreja é acolhedora. A riqueza interior, composta de muitos altares majestosos, realçam todas as cerimónias ali realizadas.

Impressionou-me os cânticos. O coro, constituído por filhos da terra, acompanhados pela assistência em geral, entoaram cânticos, fizeram leituras, enfim todos os ingredientes que fazem parte destas cerimónias litúrgicas.

DSC_7522 Eu, sinceramente, sinto-me muito feliz por pertencer a estas gentes e por ter nascido e criado nesta linda aldeia.

Termino este meu trabalho com a certeza que tradições como estas continuar-se-ão a realizar.

A todos, o meu muito obrigado pela oportunidade de poder enriquecer este meu/vosso espaço.

Manuel Afonso (Manuel Silvino)

23 de março de 2013

AO HOMEM E À SUA OBRA

O Homem

Sr. Henrique Meus caros leitores e amigos

Há momentos de reflexão que nos conduzem a tomadas de posição nas nossas vidas, que pela sua importância não podem ser adiadas.

Vem isto a propósito de algo muito importante que quero partilhar com os meus leitores e amigos.

Sei bem, que muitos poder-me-ão criticar por eu descrever estes textos, sendo eles tão pessoais.

A verdade é que o reconhecimento, gratidão, homenagem, a quem nos fez bem, são sempre oportunos, pecam muitas vezes por tardios, mas uma vez realizados tranquilizam a nossa mente, provocam sensações de alívio e consciência de dever cumprido. Vamos ao assunto.

No final do ano de 1977, encontrando-me a passar uma fase difícil da minha vida, havia que tomar opções, mudar de rumo, procurar no mercado de trabalho alguém que me desse a mão para começar uma nova vida. Bati à porta de muita gente que eu julgava importante e bem posicionada no meio empresarial. Não foi fácil. Vivia-se uma época de desenvolvimento no sector da Industria, comércio e serviços.

Em Janeiro de 1978, desloquei-me a Lisboa, visto que me encontrava com residência na minha aldeia, Parada-Bragança, no Nordeste trasmontano, onde predominava a agricultura, com poucas possibilidades de desenvolver, talvez pela sua situação geográfica, dificultando o escoamento dos seus produtos. No contacto com amigos, foi-me sugerido uma visita à empresa: Fábrica de Plásticos TITAN, pedir para falar com o dono Sr. Henrique Fernandes, pois constava que estava a admitir pessoal.

TITAN - Entrada Principal

No dia seguinte, seguindo as directivas dos meus amigos, desloquei-me e pedi para ser recebido pelo Sr. Henrique. Apresentei-me: Sr. Henrique, o meu nome é Manuel Afonso, venho pedir-lhe trabalho. Este, pensando eu que não tinha percebido a minha solicitação, perguntou-me: o Sr. Quer o quê? Trabalho, respondi eu. Respondeu-me afirmativamente, o Sr. Está admitido, esteja cá amanhã às 07H45, para começar a trabalhar.

Assim iniciei um novo ciclo de vida. Comecei a minha actividade no dia 2 de Fevereiro, como operário de máquinas de Insuflação.

Decorrido um curto espaço de tempo, o Sr. Henrique, convidou-me para ir trabalhar para um departamento de Contabilidade Analítica. Sentia-me ambientado e a fazer um trabalho que muito embora não fosse bem a minha área preferida, dava-me possibilidade de desenvolver a minha mente a novos projectos. Era aliciante trabalhar com números determinar preços de custos da produção, enfim desenvolver a minha parte cultural, colocando em prática todos os meus conhecimentos. Por ali permaneci alguns tempos, até que, um dia o Sr. Henrique me convidou a ocupar o lugar de Tesoureiro, cargo que consciente das responsabilidades que recaiam sobre mim, aceitei e onde me mantive até ao dia 31 de Julho de 2001. Devo referir e porque é justo, sempre senti um apoio e confiança de toda a Administração.

Feita esta descrição, quero neste simples meu/vosso espaço, deixar registado o meu profundo reconhecimento de gratidão ao Homem que tanto me ajudou ao longo do tempo em que fui seu colaborador. Nutro por ele uma grande admiração e estima, digo publicamente que jamais esquecerei muitas palavras que ele me transmitiu. Aconselhou-me a continuar os meus estudos, exemplificou-me com episódios da sua vida os sacrifícios por que passou para conseguir os seus objectivos

Não é minha intenção honrar, elogiar ou criticar ninguém, é apenas dizer aquilo que o meu coração sente, não preciso de arranjar muitos adjectivos. Apenas quero dizer obrigado Sr. Henrique por tudo quanto me ajudou, é um Homem bom, vou continuar a ter o privilégio de ser seu amigo, pode contar com a minha amizade, porque ela é sincera e estou ao seu dispor ao longo do nosso caminho a percorrer.

A obra

TITAN - Fachada Principal Falar do Homem e não falar da sua obra, seria para mim frustrante. Assim, vou fazer uma descrição limitada, ilustrando-a com algumas fotos da minha autoria da empresa Fábrica de Plásticos TITAN.

Em início de 1957, foi constituída uma Sociedade e registada com o nome acima referenciado. Tinha como finalidade a transformação de matérias plásticas e oficina de moldes.

Primeira Máquina - TITAN A sua actividade foi crescendo, mudando de instalações conforme o seu volume de negócios ia aumentando e tentando dar condições a nível de espaço físico adequado ao bom funcionamento do negócio.

Construíram instalações modernas de área suficiente para a instalação dos diversos sectores que uma empresa necessita. Área envolvente, fácil acesso. A área da empresa ronda os 10.000m2. Aí se instalou o sector administrativo, parque de máquinas, oficina de moldes, acabamentos, gravação, armazém de produtos acabados, expedição, enfim tudo o que de melhor se podia desejar para o bom e regular funcionamento.

Os recursos humanos eram constituídos por aproximadamente 350 trabalhadores, funcionando em sistema de turnos contínuos os trabalhadores da produção máquinas. Estes turnos dividiam-se nos seguintes horários: 00H00 às 08H00, 08H00 às 16H00 e 16h00 às 24H00 inclusive fins-de- semana.

A produção era toda dirigida à Industria farmacêutica, embalagens, electrónica, cosmética etc. A oficina de moldes executava com rigor todo o trabalho inerente à construção dos mesmos e seu funcionamento.

Para finalizar este trabalho, desejo ao Sr. Henrique Fernandes, as maiores felicidades, bem como a toda a sua família, continuo a ser seu amigo e o meu eterno obrigado, sentindo-me muito honrado por ter servido esta magnífica empresa.

Manuel Afonso (Manuel Silvino)

2 de março de 2013

HONRA AOS VIVOS SEM NUNCA ESQUECER OS MORTOS

Meus caros leitores, amigos e conterrâneos

Viver o presente é para mim um lema de vida. Acontece, que hoje decidi registar neste meu/vosso espaço, algumas considerações sobre pessoas que me são queridas, por quem nutro um profundo respeito e admiração.

Sendo assim, vou hoje postar quatro ilustres conterrâneos, que ao longo da sua vida têm sido exemplos para todos nós, trata-se dos Senhores Manuel Esteves, Francisco Marcolino e das Senhoras, Beatriz Gonçalves e Amália Gonçalves.

O Sr. Esteves, encontra-se hoje com 99 anos de idade. Homem trabalhador, natural da nossa aldeia, oriundo de família numerosa, também ele constituiu um agregado familiar extenso. Ao longo da sua vida sempre trabalhou no campo, envolto pela mais pura natureza, lá para as margens do nosso Rio Sabor (ladeira).

É bom para nós constatar a longevidade desta personagem, sabendo que não existia assistência clinica, ausência total de medicamentos, mas a verdade é que o tio Esteves pertence ao mundo dos vivos e que DEUS o conserve por muitos anos. Homem acarinhado pela sua esposa e filhos vive hoje privado de conviver com o seu mundo (ladeira) por impossibilidades físicas, mas estou certo que conhece a palmo todos os recantos desta área do nosso território.

Um dia, manifestei ao tio Esteves a intenção de fotografar um forno onde diziam que se secavam os figos, existente na ladeira, pedindo-lhe para me orientar para a sua localização. Ele respondeu-me: Eu levo-te lá até com os olhos vendados. Isto é elucidativo do grau de conhecimento deste homem. O Esteves, astuto, pescava, caçava, alimentava-se de produtos totalmente biológicos.

Ao tio Esteves, é assim que o trato, lhe peço que me permita deixar aqui registado este pequeno texto dizendo-lhe, gosto muito e tenho elevada consideração por si.

Bem junto a esta personagem, encontra-se a Beatriz Gonçalves, mulher de grande generosidade, com os seus 94 anos, sempre alegre e bem-disposta.

Esta Senhora, apesar da sua idade, mantem uma força incrível, percorre as ruas da aldeia, desloca-se a todos os eventos, atividades religiosas, culturais, lazer etc.

Ao longo da vida constituiu uma família numerosa, criou os filhos, trabalhou arduamente. O seu marido o tio Cassiano, possuía a profissão de carpinteiro e como tal, não a podia ajudar nos trabalhos do campo. Com os seus filhos que criaram condignamente, lutou pelo seu bem estar, conseguindo manter a família com a dignidade devida. De todos tenho o privilégio de ser amigo. Sempre que me desloco a Parada, encontro a tia Beatriz alegre e bem-disposta.

Por tudo quanto acabo de descrever, quero felicitar os seus filhos pela maravilhosa mãe que possuem, continuem a dispensar o afeto e carinho que ela bem merece.

Desde miúdo, me habituei a lidar com um Sr. Francisco Marcolino, oriundo da freguesia vizinha Grijó, casado com a Srª Guilhermina. Este homem de alta craveira intelectual e aguerrida capacidade de trabalho havia de criar um património económico que gerou riqueza à nossa aldeia e todas quantas nos rodeiam.

Desde muito novo me mostrei interessado em saber a realidade de vida dos habitantes da minha terra. Com alguma regularidade, diversas pessoas me iam esclarecendo. A população vivia da atividade agrícola, trabalhavam nas minas, exploração atualmente desativada.
É assim, que o Sr. Marcolino, inicia a sua atividade, praticamente do zero, começa com um pequeno comércio, vai crescendo desenvolvendo o seu negócio, dava trabalho a muita gente, comercializava os produtos agrícolas, cereais, batatas, azeite, enfim tudo o que a esta atividade estava ligado, recordo os fertilizantes (adubos) e mais tarde materiais de construção.
É verdade que criou riqueza, mas sempre trabalhou muito e soube administrar os seus bens. Não posso negar que desde muito novo me ligam fortes laços de amizade com ele, pois sempre teve carinho por mim, mesmo em fazes difíceis da minha vida, senti o seu apoio e consideração. Felizes filhos que possuem este pai. Que sempre o saibam honrar.

Para ele, eu desejo que a sua vida se prolongue por muitos anos, com saúde e aconchego familiar, bem merece. Eu, fiz uma visita recente, achei-o com muito bom aspeto, conversamos e ele transmitiu-me que a mesmo com os seus 97 anos se sente com força, sai de casa com frequência a dar as suas voltas, sempre acompanhado pela sua competente empregada Dª Rita.

Para finalizar este meu modesto texto, menciono a Amália Gonçalves de 95 anos que é uma mulher que mesmo tendo 95 anos, apresenta uma excelente forma física e mental. Para escrever alguns comentários, devo referir que se trata de alguém a quem estou ligado por laços familiares e que ao longo da minha vida sempre gostei muito dela.

A Amália tem três filhas maravilhosas. A Lurdes, Curina e a Neves. Sei que atualmente se encontra em França na companhia da Lurdes, mas como podem verificar na foto que vos exponho está com um excelente aspeto.

A vida da Amália, pautou-se pelos parâmetros que atrás descrevi, pois a vida do campo obrigava a grandes desgastes físicos. Esta era a vida rural por onde a esmagadora maioria da população deste Nordeste transmontano passava.

O conceito família sempre teve um significado especial, a minha dedicação à Amália foi sempre forte. Guardo comigo os motivos que me levam a pensar assim. Sempre me relacionei bem com todos/as, respeito muito estes laços, pois fortalecem-nos nos bons e maus momentos. É na família onde vamos procurar abrigo quando passamos por dificuldades.

Às filhas, apelo que continuem a prestar todo o carinho, sei que elas comungam dos meus sentimentos porque as conheço muito bem.

Ao fazer este meu texto, tive sempre presente sentimentos que julgo comuns a todos os meus conterrâneos e leitores. Quero na pessoa destes quatro ilustres conterrâneos honrar todos os nossos idosos, na certeza que ao fazê-lo devemos elevar o nosso pensamentos para todos os que partiram honrando-os tal como eles nos merecem.

Todos os anos me desloco à nossa querida terra no dia 1 de Novembro, é com muito agrado que verifico a afluência na visita a cemitério, lembrando os que partiram.

Ao registar este assunto neste espaço, pretendo perpetuar no tempo a lembrança contínua que todos nos merecem.

Manuel Afonso (Manuel Silvino)

5 de fevereiro de 2013

Férias em Parada

Meus caros leitores, amigos e conterrâneos.

DSC_6903 No passado dia 16 de Janeiro, desloquei-me a Parada para uma curta estadia. O tempo, algo instável, fez-me uma agradável surpresa, daquelas que há bastante tempo não ocorria.

As noites estavam frias, mas nada fazia prever que ocorresse precipitação de neve. Deitei-me por volta das 01h00m e senti uma brisa que fazia o habitual ruídoDSC_6898 no telhado e portas.

No dia seguinte, acordei com o ladrar do meu cão algo agitado. Levantei-me e fui ver o que se passava. O animal estava eufórico ao ver as “farrapas” caírem, criando um encantador manto branco. Tudo isto talvez provocado pela surpresa, pois devo referir que se trata de um animal de raça Serra da Estrela e com 8 meses de idade.

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Para mim, foi muito bom recordar os meus tempos de criança, em que estas ocorrências climatéricas eram mais frequentes. Veio-me à lembrança o poema de Augusto Gil, a Balada da Neve “Batem leve, levemente, como quem chama por mim…”. Peguei na máquina fotográfica e registei todas estas imagens que hoje quero partilhar, simultaneamente, público este belo poema que julgo nos vai fazer recordar os nossos tempos de escola primária.

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Das janelas da minha casa tenho um horizonte de neve constante. Os montes da Senábria Espanhola.

Mas, meus caros amigos, sentir, apalpar, brincar e contemplar as nossas paisagens é muito bom. Por tudo isto eu quero deixar registado o momento idílico porque passei.

Manuel Afonso (Manuel Silvino)

PARADA - Lar, Doce Lar - Meu Berço e meu Refúgio

PARADA - Lar, Doce Lar - Meu Berço e meu Refúgio
A mesma Parada vista por dois olhares